segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

dias


dias semeados no campo 
das angústias, 
choram 
aos primeiros raios, 
orvalhos que falam 
a palavra fresca, 
ainda ingénua, a sonhar 
futuro.
 

domingo, 13 de janeiro de 2013

ser a laranja





ser a laranja na tua sede
a redonda palavra
na tua boca
onde o silêncio sopra
segredos
inteiros
rebeldes securas
a cobrir-te a pele.

e nos dias pardos
inventar a luz
sacudir poeira
e deixar em ti
o brilho do orvalho
das manhãs

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

uma nova canção





porque a lucidez nos enlouquece
acende-se na vontade a força
que estremece
o peito sofrido desta terra onde
morrem apunhalados
os sonhos dos filhos abandonados
a quem lhes rouba a alma
e a razão.

ainda somos memória e gente
no coração.
e juntos cantaremos uma nova canção.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

ele


ele sabia dos caminhos como das palmas onde lhe cresciam, diferentes, os dedos que impunes escorriam as águas dos dias na maré dos olhos. ainda descrentes de quanto vira.
havia quem o seguisse, no conforto das palavras onde o sonho arranjava cama e fazia histórias que acabavam ao virar do dia. para recomeçar na viagem apetecida quando a fome apertava e as mãos abertas a agitar palavras como se fossem asas a poisar em ninhos do peito de quem o ouvia.
e os sonhos abriam sulcos em rios que se perdiam de vista. pelo tempo de o ser.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

às vezes



às vezes, o caminho é uma descida a fazer-nos leves e ligeiros. a desculpar-se  dos pesos que desalmadamente pendura nos braços onde se precisam forças para alcançar o que os pés não podem.
às vezes, na surpresa de quem tudo falta e até a esperança parece ter deserdado se alguma vez foi mãe.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

em cada instante


em cada instante
o tempo a crescer-me
nas mãos,
ainda agora dobrava
a esquina
 onde se desfolhavam
as despedidas
e já se escrevem
no gesso fresco
por onde passo
as palavras
que ainda não
te sei dizer.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

sôfrega



colho, sôfrega, os intervalos lentos
que pousam nesta invernia areia
onde vagueiam só
na língua do vento as vozes
que antes acostaram onde bate
agora um coração a pedir abrigo
nas tuas mãos