domingo, 12 de junho de 2016

esquecido

esquecido. de mim. pelos outros. sou nada. se nem nome tenho. já não falam de mim os lábios onde a minha sede morou. secos estão os rios onde me fiz raiz.
sou exilado desse país onde habitam as memórias. e feneço.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

estas coisas

são estas as coisas que me fazem feliz. assim despidas de tudo o que as atravanca. e no entanto cubro-me. e no entanto encho-me de desejos. e anseio sempre outras coisas.
quando só estas. nuas e simples. me trazem toda a felicidade.

domingo, 15 de maio de 2016

o passado

como podia levantar os olhos nas estreias dos dias se o passado lhe adormecera, pesado, no ninho das pálpebras?

quarta-feira, 11 de maio de 2016

a terra

a terra tem esta maciez que a água tempera de perfume fresco. onde só me quero deitar. e abençoo os homens agarrados às foices lambuzadas de verde. fazem o pêlo raso na face da terra. absorvo o cheiro que me entorpece os sentidos. e me devolve aos tempos de toda a ingenuidade. sou menina e já me tinha esquecido. de algum dia o ter sido.
quando voltar à terra lembrar-me-ei de tudo.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

preciso

preciso de me acoitar neste silêncio. longe do inquieto burburinho que se move por entre as árvores. vento agreste a açoitar-me a pele. cansada.
afundam-se os rios que correm em desvarios nesta terra gretada de securas. antigas. sabem-lhe a sal as chuvas que agora lhe fazem cama.
lencóis com que me cubro.
https://youtu.be/Zm5pbLMn8j8

sexta-feira, 29 de abril de 2016

dançar

falar. assim na surdina dos gestos.
dizer quanto transborda na pequenez das palavras. inexistentes para quanto te quero dizer.
dançar como quem se despe. na limpidez de quanto diz um corpo nu.
a cru.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

dia a dia

  

dia a dia. no intervalo de todos os gestos. a caminho das palavras onde a secura arde.
de não te ter.

dia a dia, na ausência de lugares onde os meus olhos se demorem nos teus. água fresca. cascata incendiada

a pedir os teus lábios.

dia a dia, rebentas-me nas mãos. e floresces.
mesmo não estando.