sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

a vida

um dia prometes-me toda a vida.
desfiada nos teus olhos. tanta no caber que os teus dedos são a contar. e eu tonta de querer tudo. no pouco que sempre tenho, arredo os medos e dou contigo os passos de prometer. olhando longe. perdendo os pés no tropeçar dos teus.
e cais-me cedo. longe de chegar onde queríamos. juntos. na promessa feita.
traídos por quebras alheias. a quem nada devámos. e a quem pagamos mais alto  a riqueza de te ter.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

o amor

este, outro, aquele que nos cabe na sorte. tão pouca a que temos. rasteira de pouca força, ausente em viagens de saudades feitas. costuradas a ferros. onde somos âncora. que este mar come.
este, outro, qualquer que seja o amor que nos foge.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

mãos criadeiras

onde outras mãos deixaram, estas porfiaram. de nada se perder e tudo se encontrar. histórias que os ouvidos esperam no tecer das mãos. obreiras de tudo achar. barrigas de maravilhas criadeiras. prontas a nascer onde tudo já morreu.

rmr

o fim

num baque, ali, o fim de todas as batidas. e a suspensão dum mundo. de entranhas reviradas do avesso. a mirar o segundo onde tudo acontece. parar. ou sorver a fome que o corpo convulso, abraça. na vida que se abre de espanto.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

encontros

quando os encontros não se fazem, embora a mãos se estendam cheias de amor, é a paciência que embala as esperas.

sábado, 25 de janeiro de 2014

ensaios


tempo de ensaios. de gestos, de sabores, de feituras entre dedos com linhas e cores. tempo de provar o tempo. saboreado por quantos lados se deixa, encostado onde o quero degustar. mesmo que de palavras alheias na minha emprestada voz e do meu parco jeito em artes doutros, melhores. ensaios. porque deles é o tempo e a prova apetece ainda a receita não se acabou de ler. tal qual uma adivinha por saber.
assim é este tempo. meu.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

tarde demais

tarde demais faz-se de tábuas. encostadas onde os pregos batidos lhe acomodam a deita. cama de corpos adiados. esquecidos na fria conta dos dias.
e assim tão cedo se faz de covas cheias de madrugadas por despontar. cortadas na raíz da esperança.

que ainda seja cedo para que tão tarde não aconteça!