Espero por ti. Não me vou sem que desembrulhes o silêncio que cala tanto que tens para dizer.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Tantas vezes
Tantas vezes falamos por falar, dizemos por dizer. Somos autómatos, mesmo a sentir. Na pressa duma vida que afinal deixamos fugir, esquecemo-nos de nós na trivialidade das coisas ditas de cor. Assim sem as ouvirmos, sequer. Eu sei. Tu também. Agora que aqui estou, olha-me nos olhos e repete-me o que dentro de ti ecoa. Não deixes que só o suspeite ou adivinhe. Inscreve-mo ao ouvido. É para isso que existo. Para ouvir o que escondes nas pregas desse sorriso emprestado à pressa.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Esta voz
Não te quero. Não quero ninguém.
E quero o mundo inteiro a toda a hora. E muito mais.
Não sou tua. Nem de outros. Nunca.
Sou desta fome que me assola e nada contenta.
Desta sede que me deixa tonta e nenhum rio satisfaz.
Tenho nas minhas mãos a vontade do longe e nos braços a força de o alcançar.
Nos meus olhos a esperança que o sorriso sustenta.
Só a morte calará esta voz que acalento.
Para que então descanse.
Pedras
Sinais
Sufoco
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Liso, muito liso
Estendi na cama aqueles lençóis que há muito guardava. Têm o cheiro do rosmaninho colhido nos campos. (Lembras-te quanto gostavas do lilás e verde em canteiros inesperados nas incursões que fazíamos pinhal adentro?) Vagarosamente estendi cada pedaço para que nada lhes perturbasse a lisura.
Prolongo-me no tempo para diminuir a espera. Só.
Em tudo quanto faço me estendo, eu sei. Como se assim me aproximasse mais do que me fica longe.
E sem nada pedir. Nem o teu regresso procurar. Por onde vou só existe o que está para amanhecer.
Um dia colherei rosmaninho no teu corpo e tu em mim como se fôssemos pinhal adentro e deixaremos que o seu cheiro nos embriague. Não fará mal. Teremos sempre esta cama, estes lençóis e o tempo que estendermos nela. Liso, muito liso, para que nada o perturbe.
sábado, 2 de abril de 2011
não
não me guardes para as tuas memórias. guarda-me antes agora no tempo que pode ainda ser nosso. agarra a mão que te estendo. dá-me o ombro que te peço. hoje!
não há outros tempos para nós, meu amor.
vejo teus olhos perdidos, as palavras soltas em debandada e a correria desajeitada pelos lugares que temos ainda por fazer. uma pressa desmedida de quem nada pode deixar por fazer.
e um abraço a pedir colo no teu peito em sobressalto.
sossega, agora, comigo. deixa o tempo respirar pausadamente. que nos beije a pele deixando-lhe a sua marca sem que o pressintas. vê-me com o olhar fresco das manhãs, mesmo que às vezes orvalhado, e entardece na minha companhia.
assim não precisarás de me lembrar. porque sempre lá estarei.
não há outros tempos para nós, meu amor.
vejo teus olhos perdidos, as palavras soltas em debandada e a correria desajeitada pelos lugares que temos ainda por fazer. uma pressa desmedida de quem nada pode deixar por fazer.
e um abraço a pedir colo no teu peito em sobressalto.
sossega, agora, comigo. deixa o tempo respirar pausadamente. que nos beije a pele deixando-lhe a sua marca sem que o pressintas. vê-me com o olhar fresco das manhãs, mesmo que às vezes orvalhado, e entardece na minha companhia.
assim não precisarás de me lembrar. porque sempre lá estarei.
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