quinta-feira, 8 de setembro de 2011

soubesse eu


crescem sem regras nem rumos.
escorrem só.

transvasam de margens que não existem já.
rios sem contenção são este mar revolto.
ondas em fúria a morrer em surdina na areia espalhada deste corpo.

que só quer paz.

(soubesse eu adivinhar tais segredos...)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sou ave


Nunca fico onde não pertenço. Mesmo que por lá queira ficar.
Sei dos meus tempos e espaços. E a eles me confino. Ainda que sufoque.

Não sou algema, nem lança.

Sou ave e sei dos voos o desejo.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

sei


sei que das memórias
sobram lágrimas,
lagos de sal temperados
de vida antiga,
onde nada pode
jamais crescer.

é nos orvalhos
onde se espreguiçam
os dias
que se alimentam as sementes
na terra enxuta.

e neste  inútil
vazio, não há mãos
que acordem a fecunda
vontade de amanhecer.

lenços brancos como asas
agitam-se ao longe
despedidas dum tempo
que crescia e
se apagou.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

don't


(don't know where i end and where you begin...)

e era assim de todas as vezes que os nossos corpos, mesmo de letras encarreiradas, se encontravam sem limites. num só deixamos em silêncio todas as palavras construírem as histórias que ainda não inventámos.

don't care

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Ainda assim


Nos dias em que regresso a ti, vestindo-te a pele do que sou, cobrindo-te de mim, somos este azul imenso
mar eterno unindo mundos

onde o horizonte nos beija a cada dia.

(e ainda assim estamos tão frágeis)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

assim

Asas não tenho


Asas não tenho, pássaro não sou. E voo.
De pés rasos nesta terra em que raízes não crio porque daqui não sou.
Faço de mim outros que por mim vieram, corpo fecundo, e partirei ficando na semente indelével que um dia estéril não saberá de mim.

Até lá sou a que abre janelas e portas nas paredes ainda frescas que os dias levantam. Para caminhar.
Fazendo caminho com quem comigo vier, ou não.