quarta-feira, 14 de setembro de 2011

As palavras

As palavras foram semeadas
uma a uma,
em conversas ,
regadas por silêncios e espantos.

Aninharam-se no terreno fértil
de corações em pousio
que as embalaram no tempo prenhe
de sonhos e desejos

com caminho a fazer-se.


Como só acontece com as palavras!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Não podemos

não podemos deixar que nos bata à porta
a violência
para deixarmos de ser

indiferentes.
fechar os olhos, ouvidos moucos
voltar as costas.

e quantas vezes a indiferença
se instala

porque à porta já entrou
toda a que podia entrar

para roubar de nós

quanto somos?!

Um céu

Sei de tanto céu a fazer distância nas coisas simples que apontámos no caderninho dos desejos mal se fez madrugada dentro de Nós.

Um céu que às vezes, se carrega de nuvens pardas a deitar lágrimas, deixando quase ilegíveis as letras que formam arabescos em forma de rios agora, que ele para cima delas chorou.

Não fosse o nosso amor mais quente e forte que qualquer sol e a nossa vontade a trazer ventos que soprem tais chuvas e as letras que escrevemos ter-se-iam já apagado.

Mas, sabes um segredo, meu amor?
Também eu já as decorei!

domingo, 11 de setembro de 2011

A propósito

Se fosse de propósito, não estaria agora assim. Talvez nem existisse. O sítio era dos mais improváveis. O tempo nem sequer lhe era propício. Era verdade que agora tudo estava diferente. Parecia que não podíamos contar com nada. As palavras sábias de gente antiga, também essas, pareciam agora perder todo o sentido. O mundo parecia andar desgovernado. Nada acontecia como estávamos habituados.

Era o tempo de nos estrearmos na vida. A cada golfada de ar. Ar novo e diferente. Também este com sabores e cheiros só de agora. (Às vezes surpreendidos em vielas por essências que trazem sabão azul e branco às narinas na roupa pendurada em cordas de nylon.)

E tudo a iniciar-se. Num jogo de esconde-esconde. É preciso estar-se atento porque desta vez não há regras.

Como se fosse de propósito, para não sermos sempre assim.

sábado, 10 de setembro de 2011

Um plano B


Um plano B, pedes-me tu. E eu que sempre o anseei, hesito agora.
Era tudo quanto eu mais precisava. Reajustar tudo. Reinventar.
Esquecer por uma vez, duma assentada todas as coisas que duma forma atabalhoada me foram atirando e empurrando como se eu fosse apenas mais um contentor.
Mais um. Nada mais.

Esqueceram-se de mim, afinal. Desta figurinha que foi crescendo cheia de tanto a espreitar dentro dela. Tanto que agora asfixiava debaixo de coisas sem sentido, num dialecto que não era o seu.

Um plano B, tens razão. Era a estratégia. E escapou-se-me pelos dedos. Na urgência dos dias.
E eu via-os fugir numa distância a alongar-se cada vez mais. Sem respostas.
E muito mais perguntas.
Sempre e maiores. Como a distância que se erguia.

E não havia plano B.
Nunca houve.

E a miúda cresceu. e com ela tudo.
Como não podes ver, tu, aí. esse ponto de interrogação enorme que ela ergueu ao longo de todo este tempo?

A diferença é uma coisa tramada.

Venha de lá um plano qualquer e que a inicial seja P de Paz, que achas?

Sabes


Sabes que te quero aqui.
Nesta casa que é tua e ainda não conheces mas sabes pertencer.

Como se de há muito e sempre estivesse (não se sabe onde, e já) inscrito, profundamente e ainda assim indelével, transparente a olhos que não os meus e os teus.

Abraços, braços. Colo, peito. Teu e meu no encontro perfeito.

Um dia quando nos cruzarmos.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Um cordão


há um cordão de dias entre mim
e o que de nós se fará.
um tempo manso, feito de promessas,
aninhadas neste peito
esperando a hora
de acordar.

pedaço a pedaço, respiro cada instante.
inspiro-te.

cresce imensa uma golfada de ar
onde emerge tanto que há
do que somos

mergulho inteira
e num abraço me acolhes.
porque me esperas.
já.