quarta-feira, 11 de abril de 2012

deito-me em todas as palavras


deito-me em todas
as palavras que assim me
estendes
sem que tas peça
espreguiçadas na madrugada
dos teus olhos
na cama dos dias
e sem
perguntas
que me desfazes nas pregas
que soltas
no horizonte largo
de tanto
que
te vou sabendo.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

procurei-te


procurei-te

onde antes me corrias nos
braços
estendidos. na pressa de
laços
que atavas em
mim.

de ti,

nem sinais.

domingo, 8 de abril de 2012

embalada

em sonhos embalada, a ideia de seres.
uma falta nos braços e o mundo
a crescer.

esta míngua que me fica
desata-me os desejos
e mato-lhes
a fome.

aro meu ventre fértil
deixo a semente
penetrar
-
me
és agora um botão
no meu colo
a florir

dia do pai

no domingo, é
dia do pai.

a mochila, enche-se e fica
apertada.
o coração, salta e fica
apressado.

e o relógio,
não presta

em dias assim!

sábado, 7 de abril de 2012

guarda contigo


guarda contigo
o desabrochar do sorriso no caule
da pele.
a dança inventada na planta
dos pés
e um sol a deitar-se
nos teus lençóis.

guarda contigo
os olhos que dizem as palavras
fecundas
de lugares maiores.
os segredos guardados no gesto
adiado
e a fome a roer.
o corpo.

guarda contigo
a pressa sentida e
devolve-ma
um dia

na maré baixa dos teus vagares.

um piano adormecido





meu corpo
é
um piano adormecido
onde teus
dedos
inventam

(as mais)

intimas melodias

sexta-feira, 6 de abril de 2012

mordem-me os dias



mordem-me os dias como
cães danados,
na raiva sem margens
de quem perdeu
rumo.
de volta em volta,
num desalinho,
escorrem-me as forças
e perco-me, em
tonturas,
num chão que se
afunda.

e não há tenazes que rebentem
tais cruezas,
nem flores que sarem tantas
dores!