quinta-feira, 4 de julho de 2013

quero


quero que lhe escrevas lugares. palmo a palmo, no entremeio do espreguiçar que o alto dos teus braços alcança. e desenhes a estrela polar no avesso dos teus olhos. confio que nunca se perderão. assim lhe ponhas os olhos nas mãos. entrarás em todos os sítios. pelas memórias de os ter traçado.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

estranho tempo



já não me lembro destas vozes. como se um muro se tivesse interposto entre mim e o que foi dito. então. calando num silêncio caduco, ininteligivel, o dialeto do que fomos. estranho tempo este que nos esboroa as viagens mais intimas calcificando as entranhas onde se reescrevem as palavras dos dias que desconhecemos...

marinheiros que fomos


porque os sonhos não se fazem de olhos fechados e a esperança não se constrói em lugares sentados é tempo, de há muito, soltar as pestanas e descruzar as pernas. os caminhos são para se fazer inteiros. a cabeça deve rodar em todos os sentidos. há altura e chão em todos os largos e avenidas. e gente imensa neste mar que se agita na volta das luas. marinheiros que fomos saibamos dobrar este cabo das tormentas. uma vez e outra vez.

terça-feira, 2 de julho de 2013

toma estes braços



toma estes meus braços, restam inuteis se vazios ficarem quando sabem do quanto teus olhos se inundam em cegueiras de ninhos.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

malmequer



o meu corpo

sabe das tuas mãos.
em todos os lugares
lhes dá morada.
sem palavras
que se ajustem onde
o silêncio basta.

o arrepio é o chão
por onde se passeiam.
em todo o tempo
de aqui estares.

é no desfolhar dos dias
que os teus dedos tropeçam
entre um mal
e um bem querer
de aqui voltar.

conheces-me?


conheces-me? e ousas-me como se me fosses parte. nos teus pés atravanco mil dos meus tão velhos que não lhes sei os nomes de tão surdos se me terem feito. e no pó que se cola ao vazio que carregas onde não sabes de ti vou eu, despedaçado de quanto me levas. e por aqui ficou. farei os caminhos que os meus sonhos traçaram. quem sabe, seja assim que o destino se cumpra. e afinal os interregnos se façam de viagens unidas por cumplicidades que só o universo entende. e tu também. e afinal nós sempre nos conhecemos e só agora o percebemos.

vem daí


vem daí, de cara despida. atreve-te ao sopapo que a aragem te traz. à golfada sem dó que te atravessa a pele. e encosta-te a mim. sou irmã deste tempo. que não tem para onde ir. caminha na liberdade de se fazer.
vem daí.