segunda-feira, 9 de setembro de 2013
que longe
que longe me ficas, eu sei. de tormentas me cobres. por mim. no destempero dos tempos,
desalentalados homens de rara semente na terra gasta. que a chuva mói na levada antiga. carregada da poeira de quantos por ela já não choram mais. de ossadas feitas.
e bordam agora estas ruas os ecos de algumas vozes que antigamente falavam a língua do futuro. nestas casas abandonadas de gente.
os que ficam acreditam que nas palavras cresce um jardim. que precisamos regar.
que sabem eles de flores e eu que sei das palavras?
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
nunca mais amanhece!
morre cada um de nós todos os dias. entre tantos que somos abandonados a meia dúzia de quantos não sabem de nós. morrem os que defendem o pão. matam os que fazem cumprir as leis que asfixiam. e o baile continua nos salões engalanados de quem se cobre dos despojos. marcados da miséria que só a nós serve. lá fora a noite acontece como lhe é hábito. amanhã será outro dia. e nunca mais amanhece!
todos os dias
todos os dias são dias de viver. e devemos vivê-los bem. da melhor maneira que sabemos e podemos. mesmo sem saber os nomes. que eles têm. apesar de, nas rotinas das lengalengas dos tempos de criança já se terem acostumado à nossa lingua e saírem acertados no calendário que não precisamos de consultar. de vez em quando acrescentamo-lhes apelidos por lhes colarmos histórias. como se fossem cromos ou fotos de um album que vai crescendo neste rol de dias. e fazemos-lhe a festa. para não esquecer, nem que seja só naquele instante. sim, que os dias agora sa só instantes. apagados irremediavelmente se não os marcarmos desta maneira. são tão fugazes as menórias que repetimos sem descanso o que não queremos. e mordem-nos as dores de o fazer. coxos ou amputados reiniciamos a marcha. porque vale a pena. e celebramos o que há para celebrar. seja o que for porque estamos vivos. e até que a nossa chama se apague tudo valerá a pena.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
dá me a tua mão
dá-me a tua mão.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
não sabia do fogo
não sabia do fogo, ainda. da língua ardente que lhe cobiçava o corpo. seco. ausente das mãos a bordar-lhe o colo no rente da terra. sobram emaranhados gentios. livres a pedir afagos de manhãs molhadas pela frescura. que tardavam.
agora, de nada precisa de saber. desenha-se tatuagem funda no peito da serra. erguem-se cruzes em seu lugar
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