terça-feira, 1 de novembro de 2016

O voo

O voo pertence às aves, a vertigem aos homens.
Só quando dá asas aos sonhos que nascem dentro dele, se faz pássaro. E a vertigem se amansa

Aqui

Deixo as velas no sossego. Poupo os ventos ao trabalho. Chegar a ti é um ato solitário. Na intimidade dos gestos amaro no lugar das âncoras. E faço rumo ao lugar a que pertenço. Aqui.

Liberdade

Na pena, a voz. Alada a palavra, raiz do pensamento, voa sem destino. Livre do ninho.

Luz

Não há quem não procure a luz. Mesmo os que parecem viver na escuridão. Esses sofrem.lhe a ausência e calam.na no fechar dos olhos.

Terra

Amaciar a terra na vontade da semente. Ventre antigo. Onde tudo cresce, mesmo alheio à vontade dos tempos. Se a mão souber os caminhos, a boca não mirrará. De fome ou sede.

Um homem só

Era um homem só. Numa cadeira e uma mesa onde o jornal o esperava. Sozinho a olhar os outros. Longe, de outros lugares. E ele folheava as páginas como os dias que atravessava. Devagarinho. O café arrefecia. Pouco importava. E enterrado na vida dos outros, arrumava a sua. Onde não a pudesse olhar. Há lá alguém que goste de se amortalhar, se o coração ainda bate?
Os sorrisos dos que não vê, são.lhe estranhos. Como estranho é viver só.

Entre chegar e partir

Há uma vida entre chegar e partir. E os encontros fazem.se no cruzamento de todos os caminhos.