sexta-feira, 6 de abril de 2012

agora, o beijo


unir
ponto a ponto
estas bordas (como lábios)
do vazio entre
nós
e cerzi-las
no beijo
prometido
pelos
olhos,

agora

quinta-feira, 5 de abril de 2012

lamentos


no precipício duma garganta arranhada, a voz estranha de gente sem rosto. presos em teias de tempos antigos. em mãos de escarpas no corpo esculpidas, pelos dias.
a prece incontida nas margens do grito a pedir ouvidos num deus qualquer. lamentos caídos em terra de mortos num sonho onde pesadelos se aninham.

silêncios


um inquieto acordar nos teus silêncios derramados neste quarto para ti enfeitado. um leito de bordados por fazer de palavras e gestos, em rascunhos a decalcar, na pele em espera. espalham-se perfumes, a zumbir nos ouvidos ásperos na secura dos teus lábios. e tonta, prometo-te um vendaval de ternura na bonança das tempestades que correm dentro de nós.

terça-feira, 3 de abril de 2012

cais-me



cais-me, terno, no amplo abraço que o voo das mãos anseiam. e fazes-te pássaro em ninho num peito que para ti nasceu. és primavera em campos de guerra onde as armas se calam para florescer. nos lábios de prantos há sementes onde um sorriso cresce e se faz céu de estrelas sem fim.

o beijo

é na inocência rubra, a despontar
madura,
no alto da amurada
onde os teus olhos me fitam
que mora o beijo,
meu.

nascido onde as palavras
se fazem
de ti, ternura
e a pedir abrigo,
teu.

o bilhete

a casa era
antes.
dum tempo de risos
de bolas de trapos
e berlindes em covas.
os dedos eram ágeis e as respostas
prontas.
os beijos fugazes
e os rubores cresciam
em lugares ocultos.
umas bocas calavam o que
outras diziam,
os sonhos pulavam e entardeciam.

há quem ainda guarde,
agora,
um bilhete dobrado.
tenha da morada a cor
e da memória, as palavras.
só a chave,

lhe falte.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

meu filho

ao colo um baloiço onde
a ternura dança
de olhos presos em ti,

meu filho

agora distante
em sítios onde não sei ir
palavras presas
num mundo
de que não conheço o mapa
e línguas que
não desvendo.

e a mão que estendo
mas deixas cair
é abraço
guia
amparo
sossego
e colo outra vez.

são
os olhos que lembro
e te quero ouvir
quando pela manhã
abrimos as janelas
aos dias
da tua vida.

um dia
ver-te-ei
sorrir.

(dia mundial da consciencialização do autismo)