quinta-feira, 4 de outubro de 2012

de pé,viver.




caminha-se de pés doridos
e cabeça rente ao chão

desde o sono desfeito
até ao fechar das pestanas

pesadas

do sonho espezinhado,
teimoso em acordar
na noite que o peito
alberga
longe de quem o queira

roubar.

sobra a fé
na mão piedosa
de um deus qualquer

pede-se, de joelhos
em terra,
ser-se gente
inteira

e de pé, viver.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

o nó cego

(foto tirada da net)

engoliu em seco
o dia.


 na chávena fria
o sabor azedo
das palavras
que nunca
disse.

nas pálpebras,
o peso da noite
que teima
em gritar.

 na camisa engomada,
o nó cego,
a ver-se nos olhos
da vida

que já não tem.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

barco serei





barco serei
nesse rio que desce 
pelas cordilheiras, tecidas 
no teu rosto. 
descerei
à doca onde teus lábios 
me esperam, 
levar-te-ei o voo das gaivotas 
que vi nascer nos teus 
olhos.

dirás 
que os meus cabelos 
têm o cheiro do sal,
quando tos pousar 
no peito. 

saberás
que estas ondas
ode teus dedos, afundas
são filhas do (a)mar.

e uma alma marinheira
não faz senão 
navegar

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

no fundo


no fundo
não esperar
nunca
aceitar sempre.
e se esperas houver
fazer delas, pausas
para respirações tranquilas
que nos permitam aparar
o momento
deixando que se esvaia
só
o que nos sobra.
e caminhar,
na leveza do pouco
que o tamanho do corpo
alberga.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

que


que
o peito tem mais
lembranças que uma memória,
cansada.

que
se rasga a dor
pela mão que abraças
e te crava
o punhal  afiado na carne
que lhe serve de cama.

que
ainda te restas do muito
que eras em tanto
que levam no sopro
dos dias
por lugares
onde só voam

abutres

sábado, 15 de setembro de 2012

um povo a espreguiçar-se


há um povo a espreguiçar-se
entre o cinza das manhãs.

estende-se a lisura
da mordaça arrancada
ao sonho atravancado
no que deixou de se
ser.
escreve-se agora esperança
no branco linho
dos dias.

enquanto a voz for de dentro
e se soltar ao desejo.
haja vontade
na gente, de a fazer
caminho,
no tempo das nossas
vidas.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

never say goodbye


nem é voltar a ti. nem a um tempo
perdido
porque afinal ainda me brotas em
arrepios como se fosses a brisa
de neblina matinal na janela
dum novo dia
que agora abro na surpresa de
mais um encontro.

sem que pausas houvesse

entre tanto caminho que não se mede na distância
em que me cabes, assim,
dentro deste abraço que sabes, quando
lhe moraste dentro.

há casas que nunca perdem o cheiro
de quem as habita.

never say goodbye.