sexta-feira, 9 de novembro de 2012
cegueira
estes desenhos que nascem
das sombras
e acendem os medos
são afinal,
a inocência adiada
na inadvertida cegueira
das respostas
que procuramos na luz
que só ofusca
e nada
traz para além do brilho
que também se apaga.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
às vezes
às vezes espreita-se a beleza
arrecadada
nos sítios mais
esconsos e inatingíveis.
inteira e pura
como só ela sabe ser.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
mesmo
mesmo que seja de indiferença
o olhar que me veste
é só uma pele
que a noite me tira no vagar
com que me deito
já farta
de me fazer distante
nesta lonjura
onde só me sou
perto.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
engano
quem disse que hoje, as chuvas
regaram as plantas dos teus
passos,
desenhados no desalento
dos caminhos
por onde andaste?
foi o parapeito desta fonte
onde calaste a tua sede
que transbordou
na falta dos teus lábios,
isso sim.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
em caracol
cada degrau tinha
um nome
que se arrastava
na subida,
ao fim do dia.
do fôlego gasto
entre as baforadas
do cigarro amanhado
pelos dedos amarelos
que te sentem
o frio suor
a escorrer parede abaixo,
foi-se a memória
das palavras arrecadadas
nestes ouvidos moucos
que se perdem
de não te ouvir.
há caracóis mais lestos
que o andar
destas pernas.
é tão longe
o teu poisar.
a fotografia
era um cavalinho de pau
e um laço nas tranças que escorregavam
do alto das perguntas
onde os olhos comiam
os horizontes que não
continham
o mar a crescer
cheio de ondas
onde os meus barcos
só queriam partir.
e o cavalinho
galopou para longe
virando o meu mundo de pernas para o ar
na caixa de pau
que por lá ficou.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
talvez
talvez,
quando aqui soarem os últimos
dias,
talvez aí,
se descubram no velho tear,
as caligrafias antigas
que no ventre
da terra
se fizeram palavra.
e saiba então,
dar voz
a esta ânsia
que dentro de mim
navega.
talvez.
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