domingo, 11 de agosto de 2013

amanhã


amanhã. amanhã dou-te as mãos. hoje recolho-me aqui. neste espaço que tão bem conheces. de onde partiste e sempre ficaste. afinal. nunca se sai de onde não se quer. mesmo que o corpo se ausente. doendo. e se façam  migalhas a cruzar caminhos para não perder a volta que queremos dar. de pés moídos de tanto cansaço.
também eu gemo das saudades colhidas pelas ausências que choveram aqui. todos os dias. na espera ritmada de melhores tempos. da minha mão na tua. como dantes.
e agora, peço-te um tempo de espera. porque me sinto morrer. e não quero os teus lábios nesta pele seca por não a habitares. deixa que me afunde na miséria de não te ter. por mais um dia.
amanhã. amanhã dou-te as mãos. prenhes da tua sede. cheias da minha vontade. de ti.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

postais

em vez de cartas. longas, que me cansam os olhos e os dedos na labuta de casar as letras na dança de as fazer felizes. escrevo-te postais. maiores que telegramas. e junto as letras com a cola dos beijos prometidos. selando-as no abraço que estendo em passadeira onde os teus pés se viram no olhar dos meus. assim, tão simples.

os medos

quando a pele nos abriga. e o corpo é este amontoar de coisas a transbordar nos olhos.  o que me vês não é senão a transparência do que ainda não guardei. porque temo assustar-te. de quantos medos são raiz no que de mim é terra.

love letter

porque me ficam presas na boca as palavras que nos dedos são marinheiras no oceano do teu corpo, faço delas barcos . de papel. guiadas pelos cheiros das marés. onde me faço voz em ti.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

até os deuses


até os deuses, um dia renegados
pediram a luz do pai.
e cerraram os olhos, descosida a vida.
deles, as histórias
a desfiar rosários em dedos comidos
pelas agruras da fome.
e o olhar erguido ao altar dos céus
se enevoa na dor que escorre rios
pelos rostos gastos de corpos gentios.
em terra de breu.

e agora?


e agora?
que é feito de toda a vida que amassei com as minhas mãos? do fermento que a fazia inundar estes caminhos?
arredada da minha boca, sou faminto por labor de nada mais poder ser. das mãos gastas tenho o hábito e nos olhos a saudade dos bailados.
nas pernas o precipicio onde me debruço. não fosse lembrar-me que amanhã acontece nos meus passos e deixar-me-ia cair. onde a escuridão é a luz do conforto.

sábado, 3 de agosto de 2013

se fosse pequeno


se fosse pequenino este meu país. a caber-me nas mãos de aprendiz. ainda imperfeitas e de olhos pardos, dar-lhe-ia colo. no regaço onde guardo afagos. antigos. das memórias que invento do que queria ter. quando de dores padeço e estremeço. como ele agora. quando lhe ouço os ais.