terça-feira, 18 de março de 2014

silêncios

deixa que entre os lábios soprem os ventos que as árvores pedem. de ramos quietos as palavras gemem silêncios onde os pássaros adormecem. e os pesadelos florescem.

segunda-feira, 17 de março de 2014

o norte

há em todos os pontos cardeais um norte. se o norte for o destino de andar. e andar for a vontade do caminho a desenrolar-se onda na maré dos dias.

brisa fresca na saliva que cuida da secura nas palavras. tantas, presas, onde se afundam os pés na angústia do abismo.

ai se fossem nuvens no céu da tua boca e um só rio lhe mordesse o voo.

sexta-feira, 7 de março de 2014

pássaros

ah, se morrerem as árvores, onde pousarão os pássaros? assusta-me o vazio onde sossega o voo parado das aprendizes asas coladas ao corpo que geme por voos. rente ao chão. como se alto fosse o mirar da semente que se atreve ao frio no acordar dos dias. rebeldes de se fazerem sem aviso. saberão ainda soletrar no arrepio das ervas orvalhadas a fala de outros tempos, ou terão esquecido tudo neste apequenar?

a nudez antiga


da nudez antiga. saber apenas dos cheiros. que não trazem nomes, ainda. visto-os no espanto intrigado entre as luzes envergonhadas que as madrugadas descerram. serão os deuses pirilampos, ocultando enquanto fechamos os olhos os brinquedos que nos ofuscam as mãos em bailados ou apenas pássaros? acredito no chilreio como sendo a linguagem do alto. que não alcanço. como os voos que não faço. tendo asas que não cubro de penas porque me vestem os dias. na procuro dos ninhos. de onde me fiz e voltarei.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

a vida

um dia prometes-me toda a vida.
desfiada nos teus olhos. tanta no caber que os teus dedos são a contar. e eu tonta de querer tudo. no pouco que sempre tenho, arredo os medos e dou contigo os passos de prometer. olhando longe. perdendo os pés no tropeçar dos teus.
e cais-me cedo. longe de chegar onde queríamos. juntos. na promessa feita.
traídos por quebras alheias. a quem nada devámos. e a quem pagamos mais alto  a riqueza de te ter.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

o amor

este, outro, aquele que nos cabe na sorte. tão pouca a que temos. rasteira de pouca força, ausente em viagens de saudades feitas. costuradas a ferros. onde somos âncora. que este mar come.
este, outro, qualquer que seja o amor que nos foge.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

mãos criadeiras

onde outras mãos deixaram, estas porfiaram. de nada se perder e tudo se encontrar. histórias que os ouvidos esperam no tecer das mãos. obreiras de tudo achar. barrigas de maravilhas criadeiras. prontas a nascer onde tudo já morreu.

rmr