quarta-feira, 13 de julho de 2011

Noutros tempos


Noutros tempos estendia-te já os braços. Ainda antes de mos pedires. Sem mesmo saberes que aqui estavam prenhes do teu corpo. E o abraço fecundado pelo tempo da tua ausência calaria a voz de todos os esquecimentos.

Este é o tempo das memórias amordaçadas. De braços caídos recuso o dia que passou.

Numa nesga qualquer julgo saber que um dia serei o braço do abraço de alguém. (terá sido ontem?)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

em tempo


sinto o teu sopro manso e um arrepio leve anuncia a sua chegada.
é um soluço que em espasmo desfaz o novelo que volta a fechar-se.

chove aqui e ainda agora fazia sol!

intervalo

o toque esquecido, já.
intervalo dorido e o voo de asa quebrada.
o sabor das memórias embrulhadas na rapidez dum adeus que não se quer.

emaranhados...

um rodopio sem fim.

sábado, 9 de julho de 2011

Regresso


Sobram-me as tuas palavras neste silêncio, interregno, plantado a esmo. Deserto árido de ti, de nós.
Agora sufocam-me e no meu peito não encontram saída.
Adormecidas, sim. E de novo agora em sobressalto. Sacudo meus cabelos. É uma lágrima que vês, acredita. Regresso à bruma porque é lá que pertencemos. E nunca lá as palavras se desvendam.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Coisas reais


Falas-me de coisas reais. E como me apetece viajar agora por outros mundos e outras histórias.
Farta de contas e mudanças.
E como gosto de mudanças sem contas agarradas.
A mudança faz-me sentir viva.
Ajustar trajectos mesmo que o destino seja ainda o mesmo é quase um vício entranhado.
Aqueles desvios que me levam a lado nenhum e a coisas tão diferentes daquilo que às vezes nem imagino...
Mas esses só quando me permito e não quando me impõem. Aí convenço-me que me fecham portas mas se abrem janelas, que não perco mas sempre ganho.
Visto os sorrisos que tenho sempre em reserva e bem abotoados para não me caírem enfrento os caminhos, agora novos e descubro o que aí vem.
Ainda sei de cor a esperança. Não lhe perdi a memória.
Dizem que tenho na alma a serenidade plantada. E que não lhe falta rega.
É da planura, digo eu.
E de olhos lavados vou caminhando, estes dias, neste país que ainda é meu.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Porque

Porque a vida é para celebrar todos os dias e na vertigem nos esquecemos de o fazer, celebramos aquele em que abrimos os olhos pela primeira vez.
Que venha longe o dia em que de olhos fechados nos despedimos dela.
Até lá, resta-nos viver a vida com a intensidade que ela merece!
E sempre com um sorriso.

O regresso

Um dia, de olhos fechados para esta vida, o regresso a um útero faminto das promessas cheias do tempo cumprido em sítios alheios. E as coisas julgadas perdidas, agora reencontradas, as pontas soltas apontadas ao rumo enfim descoberto. É a hora dos regressos. Desaconchegar as memórias e desejos. Não voltar a ter saudades!