terça-feira, 7 de agosto de 2012
soletro-te
pedaço a pedaço
soletro-te entre as linhas
descompostas
do tempo
em que saímos
derrotados.
no sussurro das palavras
há vertigem.
e tombam, uma a uma,
as que ignoras,
nestes lábios, onde navegam,
agora,
todos os silêncios
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
que será?
plantas agora de raízes nas mãos
nesse corpo dorido na ferida
que abriste no golpe
sem dó.
secas-lhe o ventre, comes-lhe
os sucos, que em labirintos
sufoca sem ar.
calcas, espezinhas
o que arrancas na pressa
da fome que matas
que será desta barriga mirrada
na ânsia
de bocas onde se fina um pulso
que não bate mais?
domingo, 5 de agosto de 2012
o nome das palavras
as palavras têm o cheiro dos livros
gastos
e o nome dos lugares onde moro
assim como tudo que em mim
habita
não fosse o mar na varanda
dos meus olhos
e escreveria serra a sonhar planície
com estes mesmos dedos,
na sede de dar nomes
a esta vontade que me nasce
na alvorada dos dias
e vai crescendo em desalinhadas
linhas
que se perdem já, em horizontes
antigos.
sábado, 4 de agosto de 2012
fim dos tempos
somem-se os dias,
assim
de onde os espreitas a cair,
no tempo da água
se deixar lamber pela língua
do sol que não te chega
a beijar.
já não se ouvem passos
a acender sobressaltos
e a ternura é feita
de nós
nas curvas dos dedos.
são meus olhos baços
ou o sol não se faz
luz?
ode pára a doce palavra
que me amacia as horas
no destempero
de tanto
abandono, neste canto
onde me deixo
finar?
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
teimavas
sabias de todas as demoras
nas curvas
derrotadas pelo peso
de longas esperas.
mas teimavas.
não havia dia que não se levantasse
em ti, a promessa de mais perto.
e desfalecias na dormência
de nada te chegar,
onde ficavas.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
nasces-me
nasces-me
nos olhos das manhãs.
na embriaguez da noite
há restos antecipados de delírios
que teimam em
não acreditar.
e pousas-me nas pálpebras,
encomendando sonos
a apagar todas
as memórias que estão
para vir.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
por hoje
há neste mar,
a água onde se guardam,
agora,
despidos os invernos,
as brincadeiras e os cansaços.
segredos que muitas lágrimas
temperaram e despertam,
hoje,
os risos para acordar
nas memórias.
está manso o meu mar,
dormem as ondas,
enroladas nas funduras.
longe dos medos que o vento
também decidiu calar.
por hoje.
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