esquece as fronteiras,
os muros, as portas.
esquece os medos, as dúvidas,
as ânsias.
esquece o que foste e para
onde vais.
esquece as noites
carregadas de sonhos
e pesadelos a cerrarem
algemas na vontade
que o tempo esculpiu
a quente
nesse coração.
ouve o ritmo batido
e entoa-lhe a canção.
let´s get lost,
pois então!
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
as gaivotas
diziam que o peixe acabara
mas a fome, não.
que o dia estava a meio
mas a fome, não.
falavam um dialeto estranho
mas a fome, não.
voavam de asas aberta
mas a fome, não.
às vezes voavam para o meio do mar
mas a fome, não.
outras vezes descansavam no areal
mas a fome, não.
no entanto faziam uma ou duas coisas
que lhe lembravam a fome
que trazia cozida no bolso abaixo
do coração
uma gritaria enorme
que lhe espantava a alma
e lhe rebentava os tímpanos
da fraqueza que trazia
amarrada
aos braços de onde lhe pendiam
inúteis mãos.
o teu rio
diz-me o teu rio
de águas livres, aqui na foz,
de asa aberta
toda a bravura, ainda inteira,
de cada gota
a fazer-se espuma.
ouço-lhe as vozes
que sinto minhas,
como se fossem eco,
de mim.
deixo-o então, entrar-me dentro.
somos só um,
num frémito de liberdade.
domingo, 11 de novembro de 2012
a casa
uma flor de pétalas
amarelas
ali, insuspeita.
um pássaro, de asas pardas,
de ninho
desfeito perdido no chão.
a casa vazia onde sobram
ausências
de riso e de pão.
meus dedos
meus dedos são ralos
na pele do dia
que me atravessa o corpo
ainda nu
a despertar trôpego
da vencida noite
onde os sonhos
se perdem onde os encontro
neste mesmo rio
onde afundo
as mãos e me despeço
de quanto já se foi
enquanto escrevo
pelos dedos (ralos)
que tudo deixam
escapar
sábado, 10 de novembro de 2012
hoje
hoje, espreitei o futuro
nas palavras,
todas, que arrecadei.
tinha na semente da minha voz
outras,
de que agora não sei.
ficou-me um gemido a cantar
melodias que embalo
neste dia que não promete sol
que germine
a soletrada esperança
a definhar.
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
without regrets
que pássaros terão levado de mim, as memórias que me fazem arder os olhos para assim, a doer deixarem verter esse mar de angústias apertadas no sufoco de não ter onde desembarcar?
talvez respire há muito o vapor desse whisky que já nem lembro o cheiro por me ter feito secar muitos mares. em tempos que agora procuro e nem sei porquê.
temo ter-me já habituado a perder. saber mais certo deixar que encontrar. e viver dia a dia na possibilidade de tudo e nada acontecer, mas pelo frágil momento de nos passar pelas mãos. nada mais.
e nesse desassossego. sou o que o tempo me traz e leva, inconstante, constantemente. without regrets.
e as saudades, são um país onde não moro.
mas, também chove dentro deste arritmado peito. da mesma forma que faz sol nos meus olhos mesmo que brilhe o sal de alguma lágrima.
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