terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
havia um mundo grande
havia um mundo grande, maior que a noite escura a crescer no peito, onde não cabia o medo de não saber das coisas. havia gente tamanha, doutras falas que nos gestos fazia a língua entender-se, como se choro ou riso bastasse e o abraço medrasse o coração que teimava em bater tonto, fora do tempo. terramoto onde desmoronava.
crescer doía, não fosse a ternura. até dum boneco sem nome, com cheiro a colo.
domingo, 10 de fevereiro de 2013
sou-me em ti
nos teus olhos, a primavera dos meus, conta-me histórias antigas que adormecem as que agora me trazem os dias e me tardam nas memórias.
falam-me de quem trago embalado no escuro deste peito enrugado da fartura dos anos que o cansaço apoquenta. sacio-me no rumor dos teus passos e no sorriso que ainda nasce nestes lábios mesmo que as palavras não tenham a doçura de antes.
sou-me em ti. e renasço.
deixa
escreves pelos teus dedos a manhã colhida na ternura dos meus lábios, ainda húmidos. e as palavras sussurram segredos que te espantam o olhar. comovido.
para onde vais, também há pardais que em cada primavera voltam ao seu revoar. deixa que te tragam contigo.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
fado
voam nas esquinas envelhecidas, murmúrios que as bocas cruzam para não sufocar. medos que crescem e esperanças que morrem. passos em caminhos sem destino. cansaços feitos em dias tenros que envelhecem sem ter idade. um desalento que adormece em campos férteis de pesadelos, baldios despovoados de sonhos e de gente.
e caminha-se inscrito na matriz dum fado que nos entorpece.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
palavras
haveria palavras bastantes para te deixar com tanto que não sei dizer-te? em quantos noites, sufocará a voz a morder as palavras que se enredam na língua?
por testemunha um céu, de onde se ausentaram estrelas e vagueiam as memórias dos teus voos. picados e audazes.
as palavras são tantas e nada sabem de nós.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
quantas vezes?
quantas vezes teimaste que este dia não acontecia? quantas vezes te caiu ele, pesado no tronco, desprevenido? e essas mãos cheias de promessas colhidas nas boca que alimentaste, quantas vezes as olhaste vazias?
esses pés tolhidos em procuras que a esperança desconhece, não te sabem as respostas de tantas vezes teus rios, neste mar, virem morrer.
procuram as razões que calaste quando em teus olhos definharam, vontades de marinheirar.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
não sei para onde vou
agora, não sei ainda para onde vou. mesmo que estejam traçadas as linhas, há dentro de mim a indecisa vontade da não fazer caminho. nas mãos que sei abertas e onde não me lanço em voos. de asas curtas, ainda sinto saudades do ninho fresco dos meus sonhos a forrarem a penugem tépida das manhãs de remelas nos olhos guarnecidos. da água límpida virá a claridade que me dirá coisas que a luz dos teus dizeres ofuscam. deixar-me-ei afundar para me vestir de transparência.
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