terça-feira, 14 de maio de 2013
quando
quando não se aninham as nuvens no céu, procuro casa nos teus ramos. e sou da altura onde os meus olhos chegam.
os horizontes sobram onde as lonjuras se estendem. para lá do que sei há este voo que me espera no despontar dos dias.
ainda que no céu, as nuvens se vistam de negro. um teto nunca deixa de o ser, neste além a que pertenço.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
só eu sei de ti
só eu sei de ti.
domingo, 12 de maio de 2013
o não
a praia espera, penteada pelo vento que o sol amacia. e o céu mira-se a fazer-se mar. em tardes assim. onde a barriga se encosta ao saco vazio que tarda em encher. são poucas as moedas nas mãos dos miúdos que dizem eu quero. nos bolsos gastos, calam-se os gritos de todas as vontades. e já não há lágrimas. o não é parente próximo e vive dentro de cada um.
sábado, 11 de maio de 2013
não ter para onde ir
não ter para onde ir. além do caminho que nos devolve ao lugar de onde já não somos. espécie de passado a contar o tempo para os dias em que parimos futuros carregados de incertezas.
a mesma luz, como se manhã fosse. no príncipio das coisas. e o arregalo dos olhos, mal acostumados. o sopapo de ar e a cara à banda.
não fosse a certeza de não estarmos sós e daqui não saíriamos.
a mesma luz, como se manhã fosse. no príncipio das coisas. e o arregalo dos olhos, mal acostumados. o sopapo de ar e a cara à banda.
não fosse a certeza de não estarmos sós e daqui não saíriamos.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
tempo
o tempo só importa quando se vive. e corre-nos nas veias. a pulsar seja como for. no ritmo que lhe dermos no relógio que bate dentro do peito. que a lua e o sol não desenhem príncipios nem fins. e os ponteiros, mostrem só caminhos. a escolha, seja a nossa. porque os mapas já os guardamos dentro de nós. a pele é só o espelho das viagens.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
o gato
o gato. perdera os miados. e sabia os lugares. por entre os restos. onde as mãos vagueavam longe da pele. os muros roçavam carícias apetecidas. nos encostos. em lugares esconsos. onde o frio se deita. lugares sem morada, ausentes de destinos.
uma tarde
escolhi uma tarde, assim ao acaso. na caixa dos dias que me trazia o
tempo. e desembrulhei-a nas tuas mãos abertas, ainda que pequenas. foram
os teus olhos plenos da luz a sobrar-te de quanto viras que desenharam
ruas cobertas dum céu a lamber algodão doce.
na memória inocente dos teus beijos lembrei-me das sedes que me secaram os lábios e toldaram as palavras que não te disse.
porque tantas vezes morri por te ver aqui. ali, onde quer que fosse. e outras tantas vivi para te olhar as mãos. por um momento. mesmo que não as abrisses e te tocasse. incrédula de a ti me sobrares em tardes assim. onde tudo me falta.
na memória inocente dos teus beijos lembrei-me das sedes que me secaram os lábios e toldaram as palavras que não te disse.
porque tantas vezes morri por te ver aqui. ali, onde quer que fosse. e outras tantas vivi para te olhar as mãos. por um momento. mesmo que não as abrisses e te tocasse. incrédula de a ti me sobrares em tardes assim. onde tudo me falta.
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