de nada te vale esta espera. este tardar a remoer as passadas coisas que em ti habitaram. no ninho que agora arejas para esta primavera que não sabe se virá. o caminho faz-se sem saber das horas. perdido dos ponteiros que só te cravam os pés onde se demora a ânsia de te encontrares.
terça-feira, 28 de maio de 2013
domingo, 26 de maio de 2013
aqui
esta falta de agulhas com que me vejo. no enredo dos dedos famintos de linhas e bordados no pano cru dos dias, a roer-me o corpo. esta fome a crescer onde os olhos se fartam de nada comer.
esta prisão que é casa de onde parto para ser livre. esta pátria que não sei.
sábado, 25 de maio de 2013
máscara
hoje despeço-me de todas as transparências. serei ausência de luz para além desta máscara que agora ponho. esquece esta em que te miraste. não o sou mais. agora.
há um tempo, ladrão, que nos leva onde não podemos levar ninguém e somos miséria de nós. animais feridos acossados no desespero de não nos reconhecermos.
este é o tempo.
voltarei a tempo de mergulhares em mim e saciarmos todas as sedes.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
...
corre-lhe nas veias um rio. sem margens. e nos olhos solta segredos que dizem as coisas que queremos ouvir. as outras calamos. delas não queremos saber. bebemos-lhe das mãos esperança e esquecemos a cegueira para lá da nascente. que a fez acontecer.
como se raiz fosse quanto quiséssemos ser. no ventre húmido dos sonhos onde acordar é morrer.
como se raiz fosse quanto quiséssemos ser. no ventre húmido dos sonhos onde acordar é morrer.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
recados deixados à vida
dizer-te que não te quero. que me fartas os dias. e em todos os umbrais onde me recusas encosto, me deixo apequenar. nesta curva onde olho os pés teimosos de não querer andar. por onde me deixas e a minha vontade se desalenta. é um corpo dorido que me fala as coisas que não me ouves. este penar a que chamam cansaços onde te deitas é cama feita por quem não sabe dos sonos. que roubaste.
terça-feira, 21 de maio de 2013
espero o tempo
espero o tempo na borda dum, antigo, de que perdi os nomes e alimento saudades. por ser do tamanho em que as perguntas sobravam e as respostas bastavam assim, na palma da mão.
agora neste resto que em mim trago, carrego todas as dúvidas nos regos desta pele, aninhadas. caminhos onde me perdi para aqui me deixar.
sem saber para onde ir. nesta cegueira que me cala as mãos.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
um tempo escuro
houve um tempo escuro, de segredos feito.
de palavras cortadas
onde a raiz vingava. a força acorrentada de gente
sem nome. por nomes maiores que em silêncio gritavam.
um tempo fecundo que pariu abril
num campo de cravos que apodreceu.
houve.
há no ar este cheiro fétido que enraivece os homens,
desfeitos os dias por que se fizeram.
e esta loucura das palavras ocas
quando um povo inteiro, está a morrer.
há.
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