abriste-me a porta das despedidas.
no tempo tenro, ainda, de te saber.
e eram já muitas as histórias que me afloravam os lábios
à chamada do teu nome.
até aquelas que ninguém sabia
porque dentro de mim ficavam
nas vontades de acontecer.
foram as tuas mãos nos bolsos e o sorriso que não te vi
que ficaram na última fotografia.
era natal. pela última vez.
(agora quando jesus nasce, tu morres-me outra vez.
repetidamente.)
como se eu não tivesse crescido
e tu ficasses perdido num tempo de ausências
que não sei onde fica.
por muito tempo esperei pela noite.
esse quarto escuro onde sem medo voltavas para mim.
e era tudo mentira.
voltavas a sorrir e eu valsava de novo
com os meus pés sobre os teus.
agora
a par com a tua,
abriram-se outras despedidas
portas que ainda não sei fechar.
sábado, 19 de julho de 2014
domingo, 8 de junho de 2014
o peso
tinha em si todo o peso do mundo. e vergava.
na largura, estreita, dos ombros não lhe cabia tanta coisa. só podia o
pensamento ter a medida que os braços não continham. descidos, na dor de
não aguentar mais.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
R
R tem um olhar meigo. como se abraçasse e ao
mesmo tempo envergonhado a fugir de se mostrar. e procuro-lho de lho
querer. porque me sinto bem nele. abraçada. na meiguice do olhar. não
podia ser meu pai, apesar de ser mais velho. embora fosse bom ter um pai assim.
assim como é tê-lo como amigo. aqui no pertinho das mãos.
conta-me todos os confortos que me faltam. não sei como os sabe. talvez mos espreite na voz. e tece-me as histórias que arrecadou vida inteira. e tem muita vida. sei que a tem pela cor dos cabelos. ondulados, cor da neve que lhe cobrem a cabeça. farta de ondas. ainda.
sabes que numa relação há sempre três intervenientes, diz. o homem, a mulher e a relação que os une. e colhe-me o espanto sem surpresas. suspeito que gosta dos meus espantos. acho até que é nisso que se maravilha. nesta minha transparente vontade de apender e nada saber. espero que me diga toda as palavras que enchem esta história já a fazer sementeira no plantio da minha sede.
um homem e uma mulher juntos podem amar-se. muito.e decidirem ter uma relação. e não cuidarem dela. não haverá amor que resista. nem relação que permaneça.
olhámo-nos. até que as minhas interrogações deixassem de o ser. acontecia-me perceber devagarinho aquelas divagações. assim como os primeiros passos de dança. primeiro atropelados e depois como se fizessem parte de mim e R dizia, parece que voas e eu achava apenas que eram os braços dele à volta da minha cintura que me davam asas. como as suas palavras.
nem sei porque me lembrei de R, talvez porque às vezes tropeçamos em coisas vulgares no dia a dia e parece-nos ouvir a música distorcida. pensamos que é melhor parar a música ou então mudar de par.
onde quer que estejas R, obrigada por tantos momentos de espanto.
assim como é tê-lo como amigo. aqui no pertinho das mãos.
conta-me todos os confortos que me faltam. não sei como os sabe. talvez mos espreite na voz. e tece-me as histórias que arrecadou vida inteira. e tem muita vida. sei que a tem pela cor dos cabelos. ondulados, cor da neve que lhe cobrem a cabeça. farta de ondas. ainda.
sabes que numa relação há sempre três intervenientes, diz. o homem, a mulher e a relação que os une. e colhe-me o espanto sem surpresas. suspeito que gosta dos meus espantos. acho até que é nisso que se maravilha. nesta minha transparente vontade de apender e nada saber. espero que me diga toda as palavras que enchem esta história já a fazer sementeira no plantio da minha sede.
um homem e uma mulher juntos podem amar-se. muito.e decidirem ter uma relação. e não cuidarem dela. não haverá amor que resista. nem relação que permaneça.
olhámo-nos. até que as minhas interrogações deixassem de o ser. acontecia-me perceber devagarinho aquelas divagações. assim como os primeiros passos de dança. primeiro atropelados e depois como se fizessem parte de mim e R dizia, parece que voas e eu achava apenas que eram os braços dele à volta da minha cintura que me davam asas. como as suas palavras.
nem sei porque me lembrei de R, talvez porque às vezes tropeçamos em coisas vulgares no dia a dia e parece-nos ouvir a música distorcida. pensamos que é melhor parar a música ou então mudar de par.
onde quer que estejas R, obrigada por tantos momentos de espanto.
terça-feira, 25 de março de 2014
na minha rua
na minha rua em lugar de estrelas erguem-se os postes, miradouros que os pássaros cuidam no poisar dos voos. alcançam o dia que vem e o que agora acaba pedindo alívio. no silêncio que teima em vir. interrompido por quem demora a chave que anseia o sossego da porta. e o cair das pestanas. nesta rua que não é só minha e tem a altura dos meus olhos.
terça-feira, 18 de março de 2014
sabes lá tu
sabes lá tu a hora de partir. como nunca a hora de chegar, mesmo no desejo marcada se sabe. e doem-te já os braços de nada teres. por muito longe que os estendas. e os olhos muito alcancem. na pouca visão que ainda guardam. são mais os rios que bordas na cordilheira desabitada da tua pele que os barcos que os navegam. não há cais que tudo guarde nas noites de maior tormenta.
sabes lá tu a hora de partir. nem mesmo se ainda aqui estás. se tanto te afundas nessa casa de pensar.
silêncios
deixa que entre os lábios soprem os ventos que as árvores pedem. de ramos quietos as palavras gemem silêncios onde os pássaros adormecem. e os pesadelos florescem.
segunda-feira, 17 de março de 2014
o norte
há em todos os pontos cardeais um norte. se o norte for o destino de andar. e andar for a vontade do caminho a desenrolar-se onda na maré dos dias.
brisa fresca na saliva que cuida da secura nas palavras. tantas, presas, onde se afundam os pés na angústia do abismo.
ai se fossem nuvens no céu da tua boca e um só rio lhe mordesse o voo.
brisa fresca na saliva que cuida da secura nas palavras. tantas, presas, onde se afundam os pés na angústia do abismo.
ai se fossem nuvens no céu da tua boca e um só rio lhe mordesse o voo.
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